Guia de importação passo a passo: da cotação ao desembaraço
Um roteiro prático para importar da China ao Brasil, cobrindo habilitação, classificação fiscal, licenciamento, transporte e desembaraço aduaneiro.
Antes de fechar a compra
Importar não começa no fornecedor. Começa na sua empresa. Antes de pagar qualquer proforma, confirme três pontos:
- Habilitação no Radar (Siscomex): sua empresa precisa estar habilitada a operar no comércio exterior, na modalidade compatível com o volume estimado (Expressa, Limitada ou Ilimitada).
- Classificação fiscal (NCM): cada produto tem um código NCM que define alíquotas de II, IPI, PIS, COFINS e o tratamento administrativo.
- Tratamento administrativo: alguns produtos exigem Licença de Importação (LI) ou anuência de órgãos como Anvisa, Inmetro ou MAPA antes do embarque.
Errar a NCM é o problema mais comum e o mais caro. Ele afeta imposto, exigência de licença e risco de multa.
Passo a passo da operação
1. Cotação e Incoterm
Negocie o preço e defina o Incoterm. FOB e CIF são os mais usados na importação da China. No FOB, você assume o frete internacional e o seguro; no CIF, o fornecedor já os inclui no valor. Isso muda a base de cálculo dos tributos.
2. Licenciamento (quando aplicável)
Se o produto exige LI, registre o pedido no Portal Único antes do embarque nas situações de licenciamento prévio. Produtos controlados por LPCO seguem o fluxo de anuência do órgão responsável. Embarcar sem a licença exigida gera multa e trava a mercadoria no porto.
3. Embarque e documentos
Confirme os documentos que chegam com a carga:
- Commercial Invoice
- Packing List
- Conhecimento de embarque (Bill of Lading para marítimo, AWB para aéreo)
- Certificado de origem, quando houver acordo tarifário
Confira se a descrição da fatura bate com a NCM declarada. Divergência aqui atrasa o desembaraço.
4. Chegada e registro da declaração
Com a carga no recinto alfandegado, você registra a declaração de importação. Hoje o Brasil opera a transição da DI para a DUIMP, dentro do Portal Único. A declaração calcula os tributos e submete a carga à parametrização.
5. Parametrização e conferência
Após o registro, a carga cai em um canal:
| Canal | O que acontece | |-------|----------------| | Verde | Desembaraço automático | | Amarelo | Conferência documental | | Vermelho | Documental e física | | Cinza | Análise de valoração aduaneira |
6. Pagamento de tributos e desembaraço
Os tributos federais são debitados no registro da declaração. O ICMS é estadual e precisa estar recolhido ou garantido para liberar a mercadoria. Após a conferência, sai o desembaraço e a carga pode ser retirada.
Prazos e custos que pegam quem é novo
- Demurrage e detention: cobrança do armador pelo uso do contêiner além do prazo livre. Some rápido.
- Armazenagem: cobrada pelo recinto por período. Quanto mais tempo a carga fica parada, maior a conta.
- Câmbio: o fechamento da moeda para pagar o fornecedor tem custo e variação. Trave a taxa quando fizer sentido para o seu fluxo.
Planeje o cronograma de trás para frente, a partir da data em que você precisa do produto disponível.
Fechando a conta
A parte que mais consome tempo é reunir NCM, alíquotas, câmbio e despesas em um único número confiável de custo. Um sistema feito para a operação, como o Kadmoon, calcula isso a cada cotação e evita o retrabalho de planilha. Veja como estimar antes de comprar na calculadora de custo de importação.